EAP (Estrutura Analítica de Projeto) em BIM

A EAP (Estrutura Analítica do Projeto) em BIM é extremamente importante para definição de todo o trabalho necessário para a conclusão de um projeto e garantir um planejamento mais assertivo. Ao analisar a complexidade que envolve um projeto de construção, essa ferramenta se torna uma forma eficaz para organizar a execução das atividades, que são inúmeras dentro da cadeia construtiva. Com esse recurso, as entregas podem melhor estruturadas e controladas. Veja neste post, o que significa EAP e a importância para o gerenciamento dos projetos de construção. O que é EAP? A sigla EAP significa Estrutura Analítica de Projeto, em inglês, é WBS (Work Breakdown Structure - Estrutura Analítica do Trabalho). É um recurso que permite a decomposição analítica de um projeto em partes menores. Ao organizar esse trabalho em componentes menores, que vão representar as entregáveis de um empreendimento, serão comunicadas as etapas e atividades que o projeto precisa cumprir para uma entrega total de sucesso. Dessa forma, a EAP vai decompor o projeto de forma hierárquica em atividades e tarefas específicas, partindo de áreas maiores e divididas em subtarefas e pacotes de trabalho individuais. Cada nível de trabalho será detalhado minuciosamente. Para o gerente de projeto será uma importante ajuda porque com esse recurso é possível decompor o projeto em elementos planejáveis e muito mais controláveis, porque a EAP vai definir o processo e a tipologia da obra. A EAP na construção civil pode ser aplicada desde a contratação do projeto, como a construção de prédios novos, reformas e organização de atividades de canteiro de obras, etc, porque a estrutura analítica do projeto (EAP) permite que todo o trabalho seja dividido em fases como definição do projeto, projeto detalhado e licitações, execução de obras e pós-projeto, etc. Visualização da EAP A visualização da EAP será em uma estrutura de árvore ou em forma descritiva (estrutura de índice), que vai apresentar as fases do ciclo de vida do projeto, com início, meio e fim, até a conclusão do empreendimento. As tarefas mais abrangentes serão colocadas no topo; já as tarefas mais específicas são colocadas na parte inferior, de acordo com os seus níveis hierárquicos. Não há um limite para os níveis detalhados, porque vai depender da complexidade de cada projeto. No entanto, para que a EAP surta os efeitos desejados precisa ter os objetivos a serem alcançados definidos de forma preliminar. Outro ponto importante a ser esclarecido é que EAP e cronograma de obra não são a mesma coisa. Enquanto a EAP vai mostrar como fazer, o cronograma revela o que fazer. A criação da EAP, inclusive, ajuda na elaboração do cronograma. Porém, a EAP é estática, enquanto o cronograma pode ser bastante dinâmico. EAP: projetos mais organizados EAP simplifica o entendimento dos steakholders para os objetivos e etapas do projeto; EAP define os 100% necessários à conclusão do projeto, nem mais nem menos. Portanto, evita acréscimo de atividades fora do escopo ou esquecimento de entregar críticas; A EAP permite um planejamento do projeto com mais mais precisão, porque apresenta pacotes individuais de trabalho; EAP evidencia custos e recursos necessários para a conclusão do projeto; Com a EAP, é possível rastrear todos os componentes ligados ao projeto. Criação da EAP O PMI (Project Management Institute) determina uma regra para criação da EAP, conhecida como 100%, que é registrar no documento o total do trabalho a ser realizado para a entrega satisfatória do projeto, incluindo escopo e captura de entregas. Na criação da EAP é preciso ver o projeto de forma global, o mais completo possível. Todas as informações necessárias para o documento podem ser conhecidas durante uma reunião de coordenação e planejamento. No entanto, nem sempre, será possível detalhar tão minuciosamente essas tarefas nesta única reunião. Há algumas sugestões para organizar os pacotes de trabalho da EAP, como por exemplo, defini-los por horas. Também é possível determinar um prazo máximo para realização de cada pacote de trabalho. Por exemplo, que uma tarefa não exceda 10 dias de duração. Como usar EAP (Estrutura Analítica de Projeto) em BIM? A utilização do Building Information Modeling (BIM) na cadeia construtiva tem sido crescente no mundo inteiro. Entre um dos principais elementos dessa metodologia de trabalho está um planejamento mais assertivo. Para quem não está familiarizado com o que é BIM, essa é uma metodologia de trabalho colaborativa, baseada em um modelo tridimensional único e carregado de um banco de dados, com todas as informações sobre o seus seus elementos constituintes. Por garantir um processo de trabalho muito mais eficaz, com melhor comunicação, colaboração entre todas as disciplinas envolvidas, maior produtividade, sustentabilidade e rentabilidade ao setor, tem alcançado imensa aceitação na indústria construtiva. As possibilidades geradas são tão efetivas que o BIM na modelagem da cidade já é uma realidade em muitos países. Os projetos em BIM tem: Armazenamento em nuvem; Soluções mais complexas; Modelos tridimensionais com banco de dados que permitem uma visualização aprimorada do projeto; Simulações dos gêmeos digitais para analisar desempenho físico; Compartilhamento de alterações para resolução de conflitos entre as disciplinas; Sistema de relatórios aprofundados; Melhor coordenação em todas as disciplinas já que todos atuam em um projeto federado único; Receita máxima. Essa metodologia é perfeitamente compatível com a EAP (Estrutura Analítica do projeto) que é uma ferramenta do gerenciamento de projetos de todas as áreas. Porém, a visualização, análise, monitoramento, avaliação e relatórios que são utilizados dentro de um modelo BIM vão orientar a adoção de uma EAP que seja amigável para os projetos de arquitetura, engenharia e construção que se utilizam da metodologia BIM. Assim, a Estrutura Analítica do Projeto em BIM vai se tornar base para associação de diferentes registros de projetos aos objetos destinados em cada fase. Softwares BIM para criação de EAP Para criar a EAP, o BIM conta com diversos softwares de gerenciamento que têm essa funcionalidade, como o BIM 360 (Autodesk). Voltado à coordenação e gerenciamento dos projetos em BIM, com o BIM 360 será possível criar um processo de entrega de mão de obra integrado com a EAP utilizando a plataforma Forge. Dessa forma, é possível medir a produtividade da execução da obra. Outro software que tem um EAP amigável para o BIM é o OpenProject, que é um software de gestão de projetos de código aberto. São inúmeros os benefícios de usar esses softwares para criar e gerenciar a EAP dentro do projeto BIM, por exemplo, os relatórios são muitos mais fáceis de gerar e há uma conversa harmônica do planejamento com os custos. Conclusão A EAP é um documento que pode ser traduzido como uma linha mestra de como o trabalho em cada empreendimento deve ser realizado, portanto, de importância imensa para organização de cada fase do ciclo de vida de um projeto, inclusive dentro da metodologia BIM, que tem entre suas bases muito mais assertividade e produtividade em todos os processos construtivos.

A EAP (Estrutura Analítica do Projeto) em BIM é extremamente importante para definição de todo o trabalho necessário para a conclusão de um projeto e garantir um planejamento mais assertivo.

Ao analisar a complexidade que envolve um projeto de construção, essa ferramenta se torna uma forma eficaz para organizar a execução das atividades, que são inúmeras dentro da cadeia construtiva. Com esse recurso, as entregas podem melhor estruturadas e controladas.

Veja neste post, o que significa EAP e a importância para o gerenciamento dos projetos de construção.

O que é EAP?

A sigla EAP significa Estrutura Analítica de Projeto, em inglês, é WBS (Work Breakdown Structure – Estrutura Analítica do Trabalho). É um recurso que permite a decomposição analítica de um projeto em partes menores.

Ao organizar esse trabalho em componentes menores, que vão representar as entregáveis de um empreendimento, serão comunicadas as etapas e atividades que o projeto precisa cumprir para uma entrega total de sucesso.

Dessa forma, a EAP vai decompor o projeto de forma hierárquica em atividades e tarefas específicas, partindo de áreas maiores e divididas em subtarefas e pacotes de trabalho individuais. Cada nível de trabalho será detalhado minuciosamente.

Para o gerente de projeto será uma importante ajuda porque com esse recurso é possível decompor o projeto em elementos planejáveis e muito mais controláveis, porque o documento vai definir o processo e a tipologia da obra.

A EAP na construção civil pode ser aplicada desde a contratação do projeto, como a construção de prédios novos, reformas e organização de atividades de canteiro de obras, etc, porque permite que todo o trabalho seja dividido em fases como definição do projeto, projeto detalhado e licitações,  execução de obras e pós-projeto, etc.

Visualização da EAP

A visualização da EAP será em uma estrutura de árvore ou em forma descritiva (estrutura de índice), que vai apresentar as fases do ciclo de vida do projeto, com início, meio e fim, até a conclusão do empreendimento. 

As tarefas mais abrangentes serão colocadas no topo; já as tarefas mais específicas são colocadas na parte inferior, de acordo com os seus níveis hierárquicos.

Não há um limite para os níveis detalhados, porque vai depender da complexidade de cada projeto.

No entanto, para que a EAP surta os efeitos desejados precisa ter os objetivos a serem alcançados definidos de forma preliminar.

Outro ponto importante a ser esclarecido é que EAP e cronograma de obra não são a mesma coisa. Enquanto a EAP vai mostrar como fazer, o cronograma revela o que fazer. A criação da EAP, inclusive, ajuda na elaboração do cronograma. Porém, a EAP é estática, enquanto o cronograma pode ser bastante dinâmico.

EAP:  projetos mais organizados

  • EAP simplifica o entendimento dos steakholders para os objetivos e etapas do projeto;
  • Define os 100% necessários à conclusão do projeto, nem mais nem menos. Portanto, evita acréscimo de atividades fora do escopo ou esquecimento de entregas críticas;
  • Permite um planejamento do projeto com mais mais precisão, porque apresenta pacotes individuais de trabalho;
  • Evidencia custos e recursos necessários para a conclusão do projeto;
  • Com a EAP, é possível rastrear todos os componentes ligados ao projeto.

Criação da EAP

O PMI (Project Management Institute) determina uma regra para criação da EAP, conhecida como 100%, que é registrar no documento o total do trabalho a ser realizado para a entrega satisfatória do projeto, incluindo escopo e captura de entregas.

Na criação da EAP é preciso ver o projeto de forma global, o mais completo possível. Todas as informações necessárias para o documento podem ser conhecidas durante uma reunião de coordenação e planejamento. No entanto, nem sempre, será possível detalhar tão minuciosamente essas tarefas nesta única reunião.

Há algumas sugestões para organizar os pacotes de trabalho da EAP, como por exemplo, defini-los por horas. Também é possível determinar um prazo máximo para realização de cada pacote de trabalho. Por exemplo, que uma tarefa não exceda 10 dias de duração.

Venha-ser-um-especialista-em-BIM

Como usar EAP (Estrutura Analítica de Projeto) em BIM?

A utilização do Building Information Modeling (BIM) na cadeia construtiva tem sido crescente no mundo inteiro. Entre um dos principais elementos dessa metodologia de trabalho está um planejamento mais assertivo.

Para quem não está familiarizado com o que é BIM, essa é uma metodologia de trabalho colaborativa, baseada em um modelo tridimensional único e carregado de um banco de dados, com todas as informações sobre o seus seus elementos constituintes. 

Por garantir um processo de trabalho muito mais eficaz,  com melhor comunicação, colaboração entre todas as disciplinas envolvidas, maior produtividade, sustentabilidade e rentabilidade ao setor, tem alcançado imensa aceitação na indústria construtiva. As possibilidades geradas são tão efetivas que o BIM na modelagem da cidade já é uma realidade em muitos países.

Os projetos em BIM tem:

  • Armazenamento em nuvem;
  • Soluções mais complexas;
  • Modelos tridimensionais com banco de dados que permitem uma visualização aprimorada do projeto;
  • Simulações dos gêmeos digitais para analisar desempenho físico;
  • Compartilhamento de alterações para resolução de conflitos entre as disciplinas;
  • Sistema de relatórios aprofundados;
  • Melhor coordenação em todas as disciplinas já que todos atuam em um projeto federado único;
  • Receita máxima.

Essa metodologia é perfeitamente compatível com a EAP (Estrutura Analítica do projeto) que é uma ferramenta do gerenciamento de projetos de todas as áreas.

Porém, a visualização, análise, monitoramento, avaliação e relatórios que são utilizados dentro de um modelo BIM vão orientar a adoção de uma EAP que seja amigável para os projetos de arquitetura, engenharia e construção que se utilizam da metodologia BIM.

Assim, a Estrutura Analítica do Projeto em BIM vai se tornar base para associação de diferentes registros de projetos aos objetos destinados em cada fase.

Softwares BIM para criação de EAP

Para criar a EAP, o BIM conta com diversos softwares de gerenciamento que têm essa funcionalidade, como o BIM 360 (Autodesk).

Voltado à coordenação e gerenciamento dos projetos em BIM, com o BIM 360 será possível criar um processo de entrega de mão de obra integrado com a EAP  utilizando a plataforma Forge. Dessa forma, é possível medir a produtividade da execução da obra.

Outro software que tem um EAP amigável para o BIM é o OpenProject, que é um software de gestão de projetos de código aberto. 

São inúmeros os benefícios de usar esses softwares para criar e gerenciar a EAP dentro do projeto BIM, por exemplo, os relatórios são muitos mais fáceis de gerar e há uma conversa harmônica do planejamento com os custos.

Conclusão

A EAP é um documento que pode ser traduzido como uma linha mestra de como o trabalho em cada empreendimento deve ser realizado, portanto, de importância imensa para organização de cada fase do ciclo de vida de um projeto, inclusive dentro da metodologia BIM, que tem entre suas bases muito mais assertividade e produtividade em todos os processos construtivos.

Compartilhe

Mais Posts

O BIM Mandate pode ter duas interpretações: o documento (Manual do BIM) que detalha aspectos de modelagem ou mandato BIM, que é um padrão que estabelece políticas de implementação da metodologia em certos países. Neste aspecto, o BIM Mandate Brasil é a Estratégia BIM BR, lançada pelo decreto 10.306, de abril de 2020. No decreto, o governo federal estabeleceu a utilização do Building Information Modeling na execução direta ou indireta de obras e serviços de engenharia realizada pelos órgãos e pelas entidades da administração pública federal, no âmbito da Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modelling- Estratégia BIM BR, instituída pelo Decreto nº 9.983, de 22 de agosto de 2019. Neste post, vamos focar no Manual BIM, que é essencial para os projetos do setor, pois é a definição dos fornecedores ou construtoras sobre as necessidades de informação da estrutura do modelo e vai orientar todo o processo de desenvolvimento do projeto. Leia o post até o final para entender melhor o BIM Mandate, que pode também ajudar as empresas nas contratações de projetos. O que é BIM? Antes de falar de BIM Mandate (Manual BIM), vamos entender o que é BIM (Building Information Modeling). Essa é uma metodologia que envolve um processo inteligente e colaborativo, baseado em um modelo 3D único para a indústria da Arquitetura, Engenharia e Construção. Como o modelo é único, o processo é totalmente colaborativo entre as disciplinas permitindo projetar, analisar, planejar, gerenciar e operar sistemas de construção de uma forma muito mais rápida e segura do que os métodos tradicionais. Além disso, o BIM também possibilita redução de custos e de tempo de execução de obra, permitindo agregar muito mais valor aos projetos do setor construtivo. No mundo, a necessidade da metodologia vem crescendo de tal forma que, além das edificações, também tem sido utilizado o BIM na modelagem das cidades. Para que serve BIM Mandate? Vamos ao BIM Mandate ou Manual BIM: é um documento essencial porque vai orientar as equipes tanto na identificação quanto na execução de cada fase do ciclo de vida do projeto. Normalmente, é utilizado por uma construtora, empresa de projetos ou setor do órgão público com suas regras gerais de trabalho em BIM. Por meio deste documento, criado antes de iniciar o projeto, todos os padrões de construção são definidos e especificados pelos fornecedores (escritórios de arquitetura ou engenharia) ou empreiteiras. São formas únicas de realizar o procedimento para modelagem. Funciona como um manual pré-definido, sendo Open BIM para trabalhar com a interoperabilidade, que se dá por um ambiente colaborativo por meio de IFC (Industry Foundation Classes), que é um formato que permite o intercâmbio de informções. Também pode ser com BIM exclusivo (especialmente para a iniciativa privada) quando é utilizado somente determinados softwares nativos da mesma plataforma, como o Archicad ou Revit. Confusão entre BEP e BIM Mandate Há também uma certa confusão no mercado quando associam o BIM Mandate como BEP (Plano de Execução BIM). Enquanto o Manual BIM vai apresentar as regras gerais pré-definidas do trabalho com base no BIM, o BEP é criado a cada projeto, como foco em um produto específico, de contrato a contrato, para definir plano de implementação do BIM para aquele projeto, usos, processos, coleta de informações, responsabilidades e funções, softwares, cronograma, documentos, etc. BIM Mandate: exemplo do que deve constar Quando um escritório de arquitetura ou engenharia tem o seu próprio BIM Mandate pode agregar valor ao trabalho que vai oferecer aos seus clientes, porque demonstra que essas diretrizes podem promover um potencial de eficácia aos resultados do projeto. O processo de levantar informações sobre gargalos, custos e estimativas de melhorias por si só já agrega valor aos trabalhos das empresas que têm um BIM Mandate porque pode demonstrar que está compatível com as exigências e especificidades do mercado construtivo. Neste BIM Mandate estarão destacados detalhes das variadas etapas dentro do ciclo de vida do projeto BIM. Veja as informações que deverão constar no documento e serão disponibilizadas à equipe: Definição dos usos do modelo BIM e diretrizes de Modelagem; Definições de Projeto; Padronização de nomenclaturas de: materiais, bibliotecas, arquivos, etc; LOD (Nível de Desenvolvimento do modelo em cada etapa de entrega); LOI (Nível de Informação); Planejamento (BIM 4D); Orçamentação (BIM 5D); Coordenação de Projetos; Diretrizes de interoperabilidade; Entregáveis BIM; Utilização vinculada à EAP. Conclusão O BIM Mandate é recomendado para a fase anterior ao início do projeto porque certamente servirá para garantir muito mais estrutura aos dados e processos necessários. Dessa forma, tanto o planejamento quanto desenvolvimento do projeto tendem a ser muito mais organizados e eficientes. Vale a pena produzir o documento.

BIM Mandate: entenda o que é

O BIM Mandate pode ter duas interpretações: o documento (Manual do BIM) que detalha aspectos de modelagem ou mandato BIM, que é um padrão que

O uso do BIM no Brasil vem caminhando para proporcionar uma indústria construtiva cada vez mais organizada, eficiente, sustentável do ponto de vista ambiental e financeiro e com mais eficiência. Essa história começou no início dos anos 2000, ainda sem definições de regras ou padronizações para o setor, porém, os exemplos internacionais mostraram que o uso da metodologia e tecnologia BIM no Brasil era possível, necessitando de mais apoio governamental e uma mudança de mindset do setor. Ainda há certos entraves para estabelecer completamente a mudança de mentalidade, mas o decreto que estabelece o uso do BIM pelas entidades da administração pública federal, no âmbito da Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modeling- Estratégia BIM BR, que entrou em vigor em janeiro deste ano promete acelerar mais o processo da implantação do BIM no Brasil. Leia mais neste post para conhecer um pouco mais dessa trajetória. O que é BIM? Para entender o que é BIM é preciso entender que foi a partir do desenvolvimento dos softwares que permitiram a elaboração de desenhos e projetos com os computadores em 1980, com a tecnologia CAD (Computer Aided Design), que começaram a nascer os softwares de representação gráfica tridimensional, que mais tarde construíram as bases da metodologia BIM. Desde a década de 1970 que o professor Chuck Eastman, do Instituto de Tecnologia da Georgia (EUA) e diretor do Digital Building Laboratory, descreveu um sistema de modelagem de sólidos em 3D CAD, com a denominação Building Description System (Sistema de Descrição da Construção). Podemos definir BIM como uma metodologia de trabalho colaborativa baseada em um modelo único tridimensional, carregado com informações que servirão a todas as etapas do ciclo de vida de um projeto construtivo. Essa plataforma, amparada em 3 pilares (pessoas, processos e tecnologia), fornece aos profissionais da arquitetura, engenharia e construção, informações precisas e ferramentas para planejar, projetar, construir e gerenciar com mais eficiência a edificação desde os mais simples aos mais complexos prédios residenciais, comerciais, instalações e obras de infraestrutura. No mundo, o BIM começou a ganhar força a partir dos anos 2000, quando muitos países passaram a adotar a metodologia evoluindo gradativamente os níveis de maturidade do BIM. Em vários desses países já existem BIM Mandate, que é um padrão que estabelece políticas de implementação da metodologia na iniciativa pública. Ao tratar esses níveis de maturidade do BIM, que vão do 1 ao 3, muitos países já aplicam esses níveis em seus regulamentos baseados nos tipos de projetos. Por exemplo, nos projetos do governo, podem exigir em seus regulamentos que o BIM já esteja no nível 2, que é a fase onde o nível de colaboração é maior, com processos de trocas de informações entre as disciplinas envolvidas. O Reino Unido é hoje o líder global de uso da metodologia na indústria construtiva, mas muitos países já seguem também em busca desse título. BIM Brasil: trajetória no país O principal motivo de adesão de muitos países ao BIM são os recursos que permitem resolver os grandes desafios das áreas de arquitetura, engenharia e construção, como problemas de comunicação, gestão e coordenação ineficientes, ineficácia no planejamento, problemas na compatibilização de projetos, etc. O BIM Brasil também caminha para uma regulamentação no setor e já tem o seu BIM Mandate Brasil, que é a Estratégia BIM BR, lançada pelo decreto 10.306, de abril de 2020. O decreto Decreto Bim Brasil estabelece a utilização do Building Information Modeling na execução direta ou indireta de obras e serviços de engenharia realizada pelos órgãos e pelas entidades da administração pública federal, no âmbito da Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modeling- Estratégia BIM BR, instituída pelo Decreto nº 9.983, de 22 de agosto de 2019. Em princípio, o decreto atinge especificamente os Ministérios da Infraestrutura e da Defesa, porém, também abre a perspectiva de outros órgãos públicos utilizarem a metodologia em suas novas obras ou reformas. Uma das grandes motivações para o estímulo do uso do BIM por meio da Estratégia BIM BR é promover mais transparência no setor construtivo no que se refere às obras públicas, contratadas por meio de licitação e que já foram alvo de inúmeras denúncias de ineficiência de gestão, superfaturamento e favorecimento. Mas a história do uso da metodologia no país também no início dos anos 2000, de forma ainda incipiente, especialmente após a iniciativa de alguns órgãos governamentais começarem a atuar com a metodologia. A partir dessas iniciativas iniciais, foram sendo criados diversos fóruns de discussão, relatórios, eventos, elaboração de manuais para debater o uso do BIM no Brasil e até uma iniciativa que inspirou uma padronização nos processos licitatórios públicos com o BIM, que foi o Caderno de Santa Catarina, em 2013. Um pouco mais sobre a Estratégia BIM BR A Estratégia Nacional de Disseminação do BIM, criada pelo decreto 9.377, de maio de 2018, extinguiu o decreto de 5 de junho de 2017. Em 2019, esse decreto sofreu alteração, e foi sancionado o decreto 9.983, de 22 de agosto de 2019, para dispor sobre a Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modeling e instituir o Comitê Gestor da Estratégia do Building Information Modeling. O objetivo dos decretos foi criar políticas públicas visando a mudança do atual modelo de construção para a plataforma BIM. A finalidade da Estratégia BIM é promover um ambiente adequado para uso do BIM no Brasil em um período de 10 anos. As ações incluem: Difusão do BIM e seus benefícios; Coordenar a estruturação do setor público para a adoção do BIM; Criar condições favoráveis para o investimento, público e privado, em BIM; Estimular a capacitação em BIM; Propor atos normativos que estabeleçam parâmetros para as compras e as contratações públicas com uso do BIM; Desenvolver normas técnicas, guias e protocolos específicos para adoção do BIM; Desenvolver a Plataforma e a Biblioteca Nacional BIM; Estimular o desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias relacionadas ao BIM; Incentivar a concorrência no mercado por meio de padrões neutros de interoperabilidade BIM. Já neste decreto, o uso do BIM seria implementado gradualmente em 3 fases: janeiro de 2021, janeiro de 2024 e janeiro de 2028. Iniciativas após a Estratégia BIM No final de 2017, a ABDI e o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços lançaram uma Coletânea BIM para orientar o planejamento, projeto, contratação, fiscalização e aceite de obras públicas ou privadas com o BIM. São seis volumes (Fundamentos BIM, Implementação BIM, Colaboração e Integração BIM, Fluxos de Trabalho BIM, Formas de Contratação BIM, 10 Motivos para Evoluir para o BIM), que nasceram com o objetivo de serem ponto de referência para capacitação e qualificação técnica na metodologia. A partir da Estratégia BIM BR, que tem entre suas ações a difusão da plataforma BIM no Brasil, já surgiram diversas iniciativas, como a criação da Câmara Brasileira do BIM, em 2018, que nasceu para discutir as políticas públicas de implementação e disseminação do BIM em cada Estado e no Brasil como um todo. São comitês que abordam temas como softwares, contratos, licitações, processos, formação acadêmica, etc Em 2019, também foi criada a frente parlamentar do BIM por meio do requerimento nº 2742/2019, em 21 de outubro de 2019, para lutar para que a metodologia se torne obrigatório em todos os órgãos do governo. Foi essa Frente que ajudou o Congresso e o Senado a entenderem sobre a necessidade de mudança na Lei 8.666/93, que praticamente não permitia inovações tecnológicas em projeto de arquitetura e engenharia, engessando prazos, controle de custos, melhoria de condições de trabalho e flexibilidade de adaptações para projetos mais inovadores. Em 1o de abril de 2021 foi publicada a Nova Lei de Licitações (14.133/21) para substituir a 8666, ficou determinado o uso preferencial do BIM para projetos em obras públicas. Em 2019, outra iniciativa importante foi a criação da Plataforma BIM BR, uma ação conjunta entre o então Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). A Plataforma BIM Brasil traz um conteúdo dinâmico sobre a Modelagem da Informação da Construção e uma Biblioteca BIM, com upload de objetos e componentes BIM, que seguem o estabelecido em um regulamento técnico. A biblioteca BIM Brasil é considerada a maior biblioteca pública da metodologia no mundo. Esse portal BIM Brasil também está aberto para o cadastro de profissionais que são experts na metodologia. BIM Brasil: órgãos públicos e privados Entre os órgãos públicos que utilizaram o BIM em seus processos construtivos estão o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e o PBQP-H (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat), vinculado ao Ministério das Cidades, com o Programa Minha Casa Minha Vida, que foi substituído pelo programa Casa Verde e Amarela. Outros grandes contratantes de obras de infraestrutura também passaram a exigir uso da metodologia BIM, como a Petrobras, que foi uma das primeiras grandes empresas governamentais a usar a metodologia 3D inteligente em suas obras, com os primeiros experimentos com o uso da metodologia no Campo de Marlim, em 1989, em Santos. Mas em 2017, por exemplo, a nova geração de plataformas pré-sal foi inteiramente desenvolvida dentro da metodologia BIM. Outros órgãos a utilizar o BIM em suas obras foram o INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) e Cedurp (Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro). Em relação a outros órgãos importantes que já investiram em projetos desenvolvidos com o BIM está o Projeto Sirius, que é um acelerador de partículas considerado a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no país. O Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, também utilizou o BIM em sua edificação, que vai abrigar a Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein e os pesquisadores da instituição. O SENAI já tem realizado o projeto e execução de suas escolas profissionalizantes totalmente com a metodologia BIM. BIM no Brasil na pandemia Devido à urgência para construção de hospitais de campanha durante a pandemia, em abril de 2020, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também apresentou uma proposta ao governo para execução de obras mais rápidas com o BIM para ampliar a capacidade de atendimento. Neste aspecto, o BIM também é a metodologia mais indicada porque permite uma construção mais rápida e eficiente. Tendo em vista essa urgência, umas das obras construídas com o BIM foi o hospital do M’boi Mirim, em São Paulo, com cem leitos. Entre os modelos de hospitais de campanhas também estão os do projeto CURA Pods (Connected Units for Respiratory Ailments), que é uma iniciativa internacional que propõe reutilizar containers para criar unidades compactas de terapia intensiva, que servem para apoiar hospitais e comunidades. Com o BIM, é possível modelar o módulo de base de forma rápida, permitindo ter instalações completas. Cursos de BIM Para democratizar o uso da metodologia BIM no país, a ABDI também lançou em outubro de 2020 um curso gratuito e online sobre o BIM. Dividido em 2 módulos, o curso destinou-se aos profissionais dos setores de Engenharia, Arquitetura e Construção (AEC). Outra iniciativa importante no Brasil para ajudar na implantação de um sistema BIM no Brasil é o programa de capacitação na metodologia oferecido de forma gratuita em diversas unidades do Senai. Há opções como o curso introdutório “Desvendando o BIM”, mas há também opções de cursos mais específicos e já voltados para arquitetos, engenheiros e estudantes como o curso “Projeto de hidráulica com as bibliotecas BIM Amanco Wavin”, desenvolvido em parceria com a Amanco Wavin para os profissionais que estejam buscando soluções para projetos hidrossanitários. Neste ano, o Senai do Paraná lançou um programa de residência em BIM para construtoras, incorporadoras e escritórios de projetos de arquitetura e engenharia. O Grupo AJ BIM também oferece uma pós-graduação BIM e realiza diversos cursos técnicos para amparar o trabalho na metodologia. Conclusão A eficiência que o BIM traz aos processos construtivos está se apresentando cada vez com mais força na área pública e privada no Brasil. O interesse no conhecimento sobre a metodologia e a qualificação de profissionais vem aumentando, o que é imprescindível para o setor. Mas o fórum BIM Brasil ainda precisa ser ampliado. O certo é que essa precisa ser uma importante página da história do Brasil, que não pode ficar de fora dessa onda de modernização que vem transformando a indústria construtiva do mundo inteiro.

A História do BIM no Brasil

O uso do BIM no Brasil vem caminhando para proporcionar uma indústria construtiva cada vez mais organizada, eficiente, sustentável do ponto de vista ambiental e