A utilização do BIM na modelagem da cidade

O BIM na modelagem da cidade pode permitir mais eficiência nos serviços públicos e interação com as necessidades da população.

Por que, além de melhorar o ciclo de vida das edificações, o BIM na modelagem da cidade tem se mostrado uma ideia amplamente promissora?

A começar porque as projeções de crescimento populacional reveladas pela ONU (Organização das Nações Unidas) colocam em pauta a necessidade emergencial de pensar em soluções urbanísticas, que só serão possibilitadas pelo avanço da tecnologia. 

Essa digitalização já chegou no setor construtivo por meio da metodologia BIM (Building Information Modeling ou Modelagem de Informação da Construção), que vem sendo amplamente utilizada em escala mundial no setor AECO.

Veja mais nesse post.

O que é BIM?

Já em 2017, em seu relatório “Perspectivas da População Mundial: Revisão 2017”, a ONU revelou que serão mais de 8,6 bilhões de habitantes em 2030, mas os estudos do órgão também mostraram que serão 9,7 bilhões em 2050, e 11 bilhões em 2100.

Para produzir soluções urbanas para esse contingente, como um melhor planejamento urbano, serviços públicos eficientes, como a mobilidade urbana, Educação e Saúde, além da oferta de moradias e empregos, há uma crescente necessidade de digitalização.

Esse processo de transformação digital chegou ao setor construtivo por meio do BIM. Mas o que é BIM

O BIM é uma metodologia de trabalho colaborativa que usa um modelo único inteligente em 3D, carregado com um banco de dados para fazer todo o processo de geração e gerenciamento de representações digitais antes das obras físicas, seja de projetos arquitetônicos residenciais, comerciais ou obras de infraestrutura.

Esse modelo pode ser utilizado por todos os profissionais do setor da arquitetura, engenharia e construção durante todo o ciclo de vida da obra. Assim, o processo tem mais colaboração, evita erros e retrabalhos.

Porém, tem ainda mais do que isso: o BIM oferece interoperabilidade com diversos softwares para permitir análises em todas as disciplinas, simulações, cálculos de quantitativos de insumos e materiais, além de uma previsão muito mais assertiva sobre o cronograma e desempenho de uma obra, inclusive após a conclusão dela, na fase de manutenção.

Perspectivas do BIM

Um relatório da empresa de análises de tendências Zion Market Research apresentou que o uso do BIM pelo mercado mundial triplicou entre 2016 e 2020.

Com todo esse potencial para aperfeiçoar o segmento, é quase um processo natural pensar em unir o urbanismo e BIM para fazer também a modelagem da cidade.

O BIM na modelagem da cidade é um tema que vem crescendo no setor construtivo, embora ainda não sejam tantos os municípios que façam um efetivo processo de modelagem tridimensional com banco de dados associado, porém, cada vez mais cresce a necessidade de modernizar o setor, especialmente diante do avanço tecnológico conquistado em diversos nichos de mercado e a grande expectativa de adensamento das áreas urbanas.

O BIM surge como uma resposta para criação de um cenário futuro melhor planejado e com mais sustentabilidade diante das perspectivas de crescimento das áreas urbanas.

Obras de infraestrutura aperfeiçoadas e cidade conectada 

O BIM já oferece recursos para obras de infraestrutura muito mais aperfeiçoadas e com mais economia de recursos, mas e se ao invés de pensar no BIM apenas  para projetar pontes, ruas, estradas, hospitais ou escolas, se pensasse em toda uma cidade modelada, com informação associadas a seus elementos e que ficassem a serviço de uma melhoria na qualidade de vida de seus cidadãos?

Se alguém pensa que isso não é possível, está vivendo no passado. Atualmente, há mais de 40 bilhões de dispositivos conectados em todo o mundo, que vão muito além dos smartphones. A IoT (Internet Of Things) tem permitido cada vez mais que existam casas ou outros tipos de ambientes inteligentes, que podem ser controlados remotamente, facilitando a vida moderna.

Se a Internet das Coisas pode ser utilizada para os pequenos universos de uma residência ou escritório, por que não aproveitar esses mesmos recursos para ter uma cidade conectada e que tenha seus serviços públicos aperfeiçoados pela tecnologia? 

Já existem ferramentas para coleta dessas informações, com os recursos de Big Data, é possível reunir dados extremamente extensos para análises e gerenciamento de uma cidade inteira. 

Porém, muitos podem argumentar que o BIM promove representações na escala das edificações, mas não das cidades, porque envolveria a adesão de muitos outros elementos em suas análises. Sim, isso é fato, e por isso, o setor de construção civil utiliza também os dados da tecnologia GIS/SIG (Geographic Information Systems/Sistema de Informação Geográfica) associados ao BIM.

O GIS, que começou em 2D mas também evoluiu para o 3D, vai permitir que dados geoespaciais também sejam incorporados ao modelo tridimensional para a realização de análises mais completas para um projeto arquitetônico ou de infraestrutura.

O que faz o BIM na modelagem da cidade?

O BIM na modelagem da cidade pode ser utilizado com os recursos do GIS para coleta de dados gerais de um município. A união dessas duas tecnologias vão resultar no CIM (City Information Modeling), que usa os mesmos recursos do BIM só que para uma grande escala. 

Inspirado no jogo SimCity, os recursos do CIM permitem construir uma cidade inteira do zero, trazendo links para serviços públicos,  infraestrutura e até para entender como as pessoas interagem com a cidade.

Por isso, enquanto o BIM terá famílias de objetos paramétricos para escala das edificações, o CIM terá bibliotecas de padrões urbanos, como avenidas, ruas, calçadas, lotes, blocos, bairros; topografia, tráfego de veículos e pessoas, densidade demográfica, etc.

Os dados coletados para o banco de informações devem ser realizados em forma digital e em 3D, com nuvem de pontos e modelagem BIM das edificações e infraestrutura em geral.  Assim, será possível a simulação das necessidades e até de catástrofes naturais que podem impactar uma cidade inteira.

De forma preventiva, poderão ser criados esses cenários para inspirar soluções inteligentes antes do fato em si.

Cidades Inteligentes

O uso do CIM está intimamente ligado ao conceito das Cidades Inteligentes, nas quais são utilizadas  tecnologias de informação e comunicação para compartilhar informações com o público e gerar mais eficiência operacional e qualidade de vida para a população.

Uma cidade inteligente que faz modelagem em 3D com banco de dados associado, permite um melhor planejamento urbano, que garante, por exemplo:

  • Ter mobilidade urbana eficiente, com melhor controle de tráfego;
  • Melhorar o controle de emissões de gases;
  • Iluminação pública que se ajusta às necessidades e clima;
  • Monitoramento de câmeras nas vias urbanas;
  • Melhorar a oferta de vagas de estacionamento;
  • Melhores soluções para a áreas da Saúde e Educação;
  • Promover uma melhor limpeza pública e processos de reciclagem, etc.

Com essa modelagem, é possível também entender quais os impactos de um grande empreendimento imobiliário, como adensamento daquele espaço e o surgimento de novas necessidades, como mais estacionamento e até oferta de áreas verdes e de lazer públicas.

No mundo, o BIM na modelagem da cidade já vem possibilitando grandes vantagens à população dos locais que adotaram a metodologia como Montreal (Canadá) e Amsterdã (Holanda). Resta agora aos outros países do planeta entenderem os bons exemplos e também seguirem a mesma estrada.

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