Arquitetura e análise estrutural: uma nova interoperabilidade

Quem atua no setor construtivo sabe que nem sempre a relação entre arquitetura e análise estrutural é tão próxima. Porém, a partir de uma atualização da nova versão do Archicad, essa relação ficou mais íntima. A partir do Design Integrado, que é um dos novos recursos do Archicad 24, é possível integrar modelo arquitetônico e modelo de análise estrutural, com interoperabilidade com um software de cálculo, que vai permitir um processo muito mais ágil e mais colaboração. Leia mais neste post para conhecer essas facilidades. O que os recursos do BIM permitem no quesito integração? Projetos com alta eficiência é o ideal dos profissionais envolvidos no setor da construção. No entanto, para atingir esse alto desempenho, muitas análises são necessárias ao longo do ciclo de vida de um projeto. Foi a partir do surgimento da metodologia BIM no mercado nos anos 2000 que os designers assimilaram muitos processos novos que garantiram produtividade muito maior ao setor também neste aspecto. Processos que eram totalmente separados na arquitetura e engenharia estrutural começaram a ficar cada vez mais próximos. Mas, antes de falar sobre isso, vamos lembrar o que é BIM? É uma metodologia de trabalho colaborativa que utiliza um modelo único 3D, carregado de informações, que permite projetar, construir, gerenciar e operar, possibilitando um fluxo de trabalho inteligente e colaborativo entre todas as disciplinas do setor AECO. A plataforma BIM é amparada nos pilares pessoas, processos e tecnologia, que traz inúmeras vantagens ao setor porque tem, entre os seus principais recursos, design aprimorado, simulações com gêmeos digitais, planejamento assertivo, com precisão de cronogramas e orçamentação (com extração de quantitativos baseados nas informações do modelo), análises de desempenho da edificação ou instalação, redução de custos e eficiência nas entregas. Com o tempo, as soluções tecnológicas do BIM também foram se aperfeiçoando, muitos softwares foram sendo desenvolvidos para atender as mais diversas disciplinas e dar suporte à metodologia, garantindo mais diálogo entre as disciplinas envolvidas no setor AECO. E essa é uma das principais vantagens do BIM: a interoperabilidade. Durante todo o ciclo de vida de um projeto, os softwares podem interoperar entre si e trazer mais eficiência. Novidades do Archicad que contemplam a análise estrutural Assim como o Revit (Autodesk), o Archicad (Graphisoft) é um software de modelagem BIM muito utilizado para os projetos arquitetônicos no mundo inteiro, foi o primeiro a ser lançado de forma comercial. Desfrutando de grande prestígio entre profissionais, na sua última versão, o Archicad 24, aprimorou também a integração com os projetos estruturais Na nova versão do Archicad é permitido uma integração completa entre o projeto arquitetônico e o modelo de análise estrutural, com recursos que vão suportar a colaboração entre as disciplinas. O modelo analítico estrutural é gerado em segundo plano, simultaneamente ao modelo físico. No entanto, não é um modelo separado, vai apresentar placas, planos, vigas e todos os elementos necessários para fazer um cálculo, que pode ser tanto da edificação inteira, como de laje a laje. À medida que o modelo do projeto arquitetônico muda, o modelo analítico também será atualizado e os cálculos serão refeitos a partir dos novos elementos de deslocamento, tensão, forças internas, etc. Interoperabilidade com o SCIA Para realizar os cálculos do modelo analítico estrutural, é permitida a interoperabilidade com um outro software, o SCIA Engineer (Nemetscheck), que é uma solução para análise e dimensionamento para todo tipo de estruturas, com uma ampla gama de funcionalidades para vários tipos de materiais. É totalmente compatível para cálculo de edifícios, pontes, plantas industriais ou outros tipos de construção. O SCIA já desfruta de grande conhecimento no Brasil entre os engenheiros estruturais que realizam projetos de pontes, mas tende a ficar mais popular para novas edificações a partir dessa interoperabilidade com o Archicad 24. O software também tem versão em português e opera com o padrão NBR. Arquitetura e análise estrutural: modelos conectados Antes dessa interoperabilidade entre os softwares, era criado um modelo arquitetônico, então o engenheiro gerava um modelo de cálculo e só depois de carregá-lo é que surgia o resultado da análise. Com o Archicad 24 e o SCIA Engineer todo o processo fica muito mais integrado e pode ser realizado de forma muito mais veloz. Em geral, o modelo analítico é semelhante ao modelo físico, mas não é igual, porém, no Archicad 24, o modelo é todo conectado, há um refinamento do modelo analítico com base em regras. Ao escolher as regras do modelo, o software faz as considerações dos elementos finitos e ajuda nesta integração da análise estrutural para engenharia civil e arquitetura. Com o Design Integrado da nova versão do Archicad, é possível fazer alterações facilmente, com um simples clique, as telas se revezam entre modelo estrutural e arquitetônico, que permite compartilhar com outras ferramentas. Essa interoperabilidade com os programas de análise estrutural é garantida pelo uso do Structural Analytical Format (SAF), que é otimizado para esses softwares. Assim, as decisões de projeto podem ser tomadas de forma mais rápida, devido a essa comunicação e praticidade dos novos recursos, que vão gerar uma aceleração de diálogo entre as áreas, porque os profissionais podem trabalhar no modelo ao mesmo tempo se o arquiteto tem BIM Cloud e o engenheiro também atua com o Archicad. Como é realizada a interoperabilidade para cálculo? O modelo analítico estrutural será exportado pelo engenheiro estrutural, que vai abrir o SCIA Engineer para executar a simulação de análise e a otimização do projeto com as alterações necessárias. O software vai ler o modelo da forma como é apresentado no Archicad, com geometria, nós, barras, superfícies e apoios, etc. Então, o engenheiro pode fazer os carregamentos de carga, analisar o modelo e escolher os parâmetros para cálculos, e pedir para rodar o cálculo estrutural. O cálculo é realizado de forma muito rápida, aceitando também os dados de estrutura 2D. Um dos pontos interessante é que é neste fluxo de ida e volta do Archicad para o Scia não há necessidade de nenhuma conversão de arquivos. Quando o arquiteto recebe o modelo de volta, pode ou não aceitar as alterações, para validar as sugestões do engenheiro. Com a ferramenta, o arquiteto também ganha uma visão da análise estrutural quase em tempo real. Para suportar esse fluxo de trabalho entre a arquitetura e análise estrutural, o Archicad também tem recursos adicionais, como o Comparador de Modelos, Gestão de Anotações, Rastreamento de Alterações e Verificação de Modelo. No Comparador de Modelos, por exemplo, ao expor o modelo SAF, já é possível conhecer os elementos adicionados pelo engenheiro. Por meio de um botão de aparência, os novos elementos serão destacados com cores diferentes. Conclusão Essa relação mais próxima entre a arquitetura e análise estrutural com o Archicad 24 possibilita uma grande produtividade para os projetos, além de eliminar o retrabalho de forma muito efetiva. Sem dúvida, é um momento novo vivenciado pelo setor, que vem sendo amplamente favorecido por uma crescente digitalização, com uso de recursos inteligentes que tornam os projetos altamente eficazes e rentáveis.

Quem atua no setor  construtivo sabe que nem sempre a relação entre arquitetura e análise estrutural é tão próxima. Porém, a partir de uma atualização da nova versão  do Archicad, essa relação ficou mais íntima.

A partir do Design Integrado, que é um dos novos recursos do Archicad  24, é possível integrar modelo arquitetônico e modelo de análise estrutural, com interoperabilidade com um software de cálculo, que vai permitir um processo muito mais ágil e mais colaboração.

Leia mais neste post para conhecer essas facilidades.

O que os recursos do BIM permitem no quesito integração?

Projetos com alta eficiência é o ideal dos profissionais envolvidos no setor da construção. No entanto, para atingir esse alto desempenho, muitas análises são necessárias ao longo do ciclo de vida de um projeto.

Foi a partir do surgimento da metodologia BIM no mercado nos anos 2000 que os designers assimilaram muitos processos novos que garantiram produtividade muito maior ao setor também neste aspecto. Processos que eram totalmente separados na arquitetura e engenharia estrutural começaram a ficar cada vez mais próximos.

Mas, antes  de falar sobre isso, vamos lembrar o que é BIM? É uma metodologia de trabalho colaborativa que utiliza um modelo único 3D, carregado de informações, que permite projetar, construir, gerenciar e operar, possibilitando um fluxo de trabalho inteligente e colaborativo entre todas as disciplinas do setor AECO. 

A plataforma BIM é amparada nos pilares pessoas, processos e tecnologia, que traz inúmeras vantagens ao setor porque tem, entre os seus principais recursos, design aprimorado, simulações com gêmeos digitais, planejamento assertivo, com precisão de cronogramas e orçamentação (com extração de quantitativos baseados nas informações do modelo), análises de desempenho da edificação ou instalação, redução de custos e eficiência nas entregas.

Com o tempo, as soluções tecnológicas do BIM também foram se aperfeiçoando,  muitos softwares foram sendo desenvolvidos para atender as mais diversas disciplinas e dar suporte à metodologia, garantindo mais diálogo entre as disciplinas envolvidas no setor AECO.

E essa é uma das principais vantagens do BIM: a interoperabilidade. Durante todo o ciclo de vida de um projeto, os softwares podem interoperar entre si e trazer mais eficiência. As áreas que ganham com isso agora é arquitetura e análise estrutural.

Novidades do Archicad que contemplam a análise estrutural

Assim como o Revit (Autodesk), o Archicad (Graphisoft) é um software de modelagem BIM muito utilizado para os projetos  arquitetônicos no mundo inteiro, foi o primeiro a ser lançado de forma comercial. Desfrutando de grande prestígio entre profissionais, na sua última versão, o Archicad 24, aprimorou também a integração com os projetos estruturais

Na nova versão do Archicad é permitido uma integração completa entre o projeto arquitetônico e o modelo de análise estrutural, com recursos que vão suportar a colaboração entre as disciplinas.

O modelo analítico estrutural é gerado em segundo plano, simultaneamente ao modelo físico. No entanto, não é um modelo separado, vai apresentar placas, planos, vigas e todos os elementos necessários para fazer um cálculo, que pode ser tanto da edificação inteira, como de laje a laje. 

À medida que o modelo do projeto arquitetônico muda, o modelo analítico também será atualizado e os cálculos serão refeitos a partir dos novos elementos de deslocamento, tensão, forças internas, etc.

Interoperabilidade com o SCIA

Para realizar os cálculos do modelo analítico estrutural, é permitida a interoperabilidade com um outro software, o SCIA Engineer (Nemetscheck), que é uma solução para análise e dimensionamento para todo tipo de estruturas, com uma ampla gama de funcionalidades para vários tipos de materiais.

É totalmente compatível para cálculo de edifícios, pontes, plantas industriais ou outros tipos de construção. 

O SCIA já desfruta de grande conhecimento no Brasil entre os engenheiros estruturais que realizam projetos de pontes, mas tende a ficar mais popular para novas edificações a partir dessa interoperabilidade com o Archicad 24. 

O software também tem versão em português e opera com o padrão NBR.

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Arquitetura e análise estrutural: modelos conectados

Antes dessa interoperabilidade entre os softwares, era criado um modelo arquitetônico, então o engenheiro gerava um modelo de cálculo e só depois de carregá-lo é que surgia o resultado da análise. Com o Archicad 24 e o SCIA Engineer todo o  processo fica muito mais integrado e pode ser realizado de forma muito mais veloz.

Em geral, o modelo analítico é semelhante ao modelo físico, mas não é igual, porém, no Archicad 24, o modelo é todo conectado, há um refinamento do modelo analítico com  base em regras.

Ao escolher as regras do modelo, o software faz as considerações dos elementos finitos e ajuda nesta integração da análise estrutural para engenharia civil e arquitetura.

Com  o Design Integrado da nova versão do Archicad, é possível fazer alterações facilmente, com um simples clique, as telas se revezam entre modelo estrutural  e arquitetônico, que permite  compartilhar com outras ferramentas.

Essa interoperabilidade com os programas de análise estrutural é garantida pelo uso do Structural Analytical Format (SAF), que é otimizado para esses softwares.

Assim, as decisões de projeto podem ser tomadas de forma mais rápida, devido a essa comunicação e praticidade dos novos recursos, que vão gerar uma aceleração de diálogo entre as áreas, porque os profissionais  podem trabalhar no modelo ao mesmo tempo se o arquiteto tem BIM Cloud e o engenheiro também  atua com o Archicad.

Como é realizada a interoperabilidade para cálculos?

O modelo analítico  estrutural será exportado pelo engenheiro estrutural, que vai abrir o SCIA Engineer para executar a simulação de análise e a otimização do projeto com  as  alterações necessárias.  

O software vai ler o modelo da forma como é apresentado no Archicad, com geometria, nós, barras, superfícies e apoios, etc.  Então, o engenheiro pode fazer os carregamentos de carga, analisar o modelo e escolher os parâmetros para cálculos, e pedir para rodar o cálculo estrutural.

O cálculo é  realizado de forma muito rápida, aceitando também os  dados de  estrutura 2D. 

Um dos pontos interessante é que  é neste fluxo de ida e volta do Archicad para o Scia não há necessidade de nenhuma conversão de arquivos.

Quando o  arquiteto recebe o modelo de volta, pode ou não aceitar as alterações, para validar  as sugestões  do engenheiro. Com a ferramenta, o arquiteto também ganha uma visão da análise estrutural quase em tempo real. 

Para suportar esse fluxo de trabalho entre a arquitetura e análise estrutural, o Archicad também tem recursos adicionais, como o Comparador de Modelos, Gestão de Anotações, Rastreamento de Alterações e Verificação de Modelo.

No Comparador de Modelos, por exemplo, ao expor o modelo SAF, já é possível conhecer os elementos adicionados pelo engenheiro. Por meio de um botão de aparência, os novos elementos serão destacados com cores diferentes.

Conclusão

Essa relação mais próxima entre a arquitetura e análise estrutural com o Archicad 24 possibilita uma grande produtividade para os projetos, além de eliminar o retrabalho de forma muito efetiva.

Sem dúvida, é um momento novo vivenciado pelo setor, que vem sendo amplamente favorecido por uma crescente digitalização, com uso de recursos inteligentes que tornam os projetos altamente eficazes e rentáveis.

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O BIM Mandate pode ter duas interpretações: o documento (Manual do BIM) que detalha aspectos de modelagem ou mandato BIM, que é um padrão que estabelece políticas de implementação da metodologia em certos países. Neste aspecto, o BIM Mandate Brasil é a Estratégia BIM BR, lançada pelo decreto 10.306, de abril de 2020. No decreto, o governo federal estabeleceu a utilização do Building Information Modeling na execução direta ou indireta de obras e serviços de engenharia realizada pelos órgãos e pelas entidades da administração pública federal, no âmbito da Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modelling- Estratégia BIM BR, instituída pelo Decreto nº 9.983, de 22 de agosto de 2019. Neste post, vamos focar no Manual BIM, que é essencial para os projetos do setor, pois é a definição dos fornecedores ou construtoras sobre as necessidades de informação da estrutura do modelo e vai orientar todo o processo de desenvolvimento do projeto. Leia o post até o final para entender melhor o BIM Mandate, que pode também ajudar as empresas nas contratações de projetos. O que é BIM? Antes de falar de BIM Mandate (Manual BIM), vamos entender o que é BIM (Building Information Modeling). Essa é uma metodologia que envolve um processo inteligente e colaborativo, baseado em um modelo 3D único para a indústria da Arquitetura, Engenharia e Construção. Como o modelo é único, o processo é totalmente colaborativo entre as disciplinas permitindo projetar, analisar, planejar, gerenciar e operar sistemas de construção de uma forma muito mais rápida e segura do que os métodos tradicionais. Além disso, o BIM também possibilita redução de custos e de tempo de execução de obra, permitindo agregar muito mais valor aos projetos do setor construtivo. No mundo, a necessidade da metodologia vem crescendo de tal forma que, além das edificações, também tem sido utilizado o BIM na modelagem das cidades. Para que serve BIM Mandate? Vamos ao BIM Mandate ou Manual BIM: é um documento essencial porque vai orientar as equipes tanto na identificação quanto na execução de cada fase do ciclo de vida do projeto. Normalmente, é utilizado por uma construtora, empresa de projetos ou setor do órgão público com suas regras gerais de trabalho em BIM. Por meio deste documento, criado antes de iniciar o projeto, todos os padrões de construção são definidos e especificados pelos fornecedores (escritórios de arquitetura ou engenharia) ou empreiteiras. São formas únicas de realizar o procedimento para modelagem. Funciona como um manual pré-definido, sendo Open BIM para trabalhar com a interoperabilidade, que se dá por um ambiente colaborativo por meio de IFC (Industry Foundation Classes), que é um formato que permite o intercâmbio de informções. Também pode ser com BIM exclusivo (especialmente para a iniciativa privada) quando é utilizado somente determinados softwares nativos da mesma plataforma, como o Archicad ou Revit. Confusão entre BEP e BIM Mandate Há também uma certa confusão no mercado quando associam o BIM Mandate como BEP (Plano de Execução BIM). Enquanto o Manual BIM vai apresentar as regras gerais pré-definidas do trabalho com base no BIM, o BEP é criado a cada projeto, como foco em um produto específico, de contrato a contrato, para definir plano de implementação do BIM para aquele projeto, usos, processos, coleta de informações, responsabilidades e funções, softwares, cronograma, documentos, etc. BIM Mandate: exemplo do que deve constar Quando um escritório de arquitetura ou engenharia tem o seu próprio BIM Mandate pode agregar valor ao trabalho que vai oferecer aos seus clientes, porque demonstra que essas diretrizes podem promover um potencial de eficácia aos resultados do projeto. O processo de levantar informações sobre gargalos, custos e estimativas de melhorias por si só já agrega valor aos trabalhos das empresas que têm um BIM Mandate porque pode demonstrar que está compatível com as exigências e especificidades do mercado construtivo. Neste BIM Mandate estarão destacados detalhes das variadas etapas dentro do ciclo de vida do projeto BIM. Veja as informações que deverão constar no documento e serão disponibilizadas à equipe: Definição dos usos do modelo BIM e diretrizes de Modelagem; Definições de Projeto; Padronização de nomenclaturas de: materiais, bibliotecas, arquivos, etc; LOD (Nível de Desenvolvimento do modelo em cada etapa de entrega); LOI (Nível de Informação); Planejamento (BIM 4D); Orçamentação (BIM 5D); Coordenação de Projetos; Diretrizes de interoperabilidade; Entregáveis BIM; Utilização vinculada à EAP. Conclusão O BIM Mandate é recomendado para a fase anterior ao início do projeto porque certamente servirá para garantir muito mais estrutura aos dados e processos necessários. Dessa forma, tanto o planejamento quanto desenvolvimento do projeto tendem a ser muito mais organizados e eficientes. Vale a pena produzir o documento.

BIM Mandate: entenda o que é

O BIM Mandate pode ter duas interpretações: o documento (Manual do BIM) que detalha aspectos de modelagem ou mandato BIM, que é um padrão que

O uso do BIM no Brasil vem caminhando para proporcionar uma indústria construtiva cada vez mais organizada, eficiente, sustentável do ponto de vista ambiental e financeiro e com mais eficiência. Essa história começou no início dos anos 2000, ainda sem definições de regras ou padronizações para o setor, porém, os exemplos internacionais mostraram que o uso da metodologia e tecnologia BIM no Brasil era possível, necessitando de mais apoio governamental e uma mudança de mindset do setor. Ainda há certos entraves para estabelecer completamente a mudança de mentalidade, mas o decreto que estabelece o uso do BIM pelas entidades da administração pública federal, no âmbito da Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modeling- Estratégia BIM BR, que entrou em vigor em janeiro deste ano promete acelerar mais o processo da implantação do BIM no Brasil. Leia mais neste post para conhecer um pouco mais dessa trajetória. O que é BIM? Para entender o que é BIM é preciso entender que foi a partir do desenvolvimento dos softwares que permitiram a elaboração de desenhos e projetos com os computadores em 1980, com a tecnologia CAD (Computer Aided Design), que começaram a nascer os softwares de representação gráfica tridimensional, que mais tarde construíram as bases da metodologia BIM. Desde a década de 1970 que o professor Chuck Eastman, do Instituto de Tecnologia da Georgia (EUA) e diretor do Digital Building Laboratory, descreveu um sistema de modelagem de sólidos em 3D CAD, com a denominação Building Description System (Sistema de Descrição da Construção). Podemos definir BIM como uma metodologia de trabalho colaborativa baseada em um modelo único tridimensional, carregado com informações que servirão a todas as etapas do ciclo de vida de um projeto construtivo. Essa plataforma, amparada em 3 pilares (pessoas, processos e tecnologia), fornece aos profissionais da arquitetura, engenharia e construção, informações precisas e ferramentas para planejar, projetar, construir e gerenciar com mais eficiência a edificação desde os mais simples aos mais complexos prédios residenciais, comerciais, instalações e obras de infraestrutura. No mundo, o BIM começou a ganhar força a partir dos anos 2000, quando muitos países passaram a adotar a metodologia evoluindo gradativamente os níveis de maturidade do BIM. Em vários desses países já existem BIM Mandate, que é um padrão que estabelece políticas de implementação da metodologia na iniciativa pública. Ao tratar esses níveis de maturidade do BIM, que vão do 1 ao 3, muitos países já aplicam esses níveis em seus regulamentos baseados nos tipos de projetos. Por exemplo, nos projetos do governo, podem exigir em seus regulamentos que o BIM já esteja no nível 2, que é a fase onde o nível de colaboração é maior, com processos de trocas de informações entre as disciplinas envolvidas. O Reino Unido é hoje o líder global de uso da metodologia na indústria construtiva, mas muitos países já seguem também em busca desse título. BIM Brasil: trajetória no país O principal motivo de adesão de muitos países ao BIM são os recursos que permitem resolver os grandes desafios das áreas de arquitetura, engenharia e construção, como problemas de comunicação, gestão e coordenação ineficientes, ineficácia no planejamento, problemas na compatibilização de projetos, etc. O BIM Brasil também caminha para uma regulamentação no setor e já tem o seu BIM Mandate Brasil, que é a Estratégia BIM BR, lançada pelo decreto 10.306, de abril de 2020. O decreto Decreto Bim Brasil estabelece a utilização do Building Information Modeling na execução direta ou indireta de obras e serviços de engenharia realizada pelos órgãos e pelas entidades da administração pública federal, no âmbito da Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modeling- Estratégia BIM BR, instituída pelo Decreto nº 9.983, de 22 de agosto de 2019. Em princípio, o decreto atinge especificamente os Ministérios da Infraestrutura e da Defesa, porém, também abre a perspectiva de outros órgãos públicos utilizarem a metodologia em suas novas obras ou reformas. Uma das grandes motivações para o estímulo do uso do BIM por meio da Estratégia BIM BR é promover mais transparência no setor construtivo no que se refere às obras públicas, contratadas por meio de licitação e que já foram alvo de inúmeras denúncias de ineficiência de gestão, superfaturamento e favorecimento. Mas a história do uso da metodologia no país também no início dos anos 2000, de forma ainda incipiente, especialmente após a iniciativa de alguns órgãos governamentais começarem a atuar com a metodologia. A partir dessas iniciativas iniciais, foram sendo criados diversos fóruns de discussão, relatórios, eventos, elaboração de manuais para debater o uso do BIM no Brasil e até uma iniciativa que inspirou uma padronização nos processos licitatórios públicos com o BIM, que foi o Caderno de Santa Catarina, em 2013. Um pouco mais sobre a Estratégia BIM BR A Estratégia Nacional de Disseminação do BIM, criada pelo decreto 9.377, de maio de 2018, extinguiu o decreto de 5 de junho de 2017. Em 2019, esse decreto sofreu alteração, e foi sancionado o decreto 9.983, de 22 de agosto de 2019, para dispor sobre a Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modeling e instituir o Comitê Gestor da Estratégia do Building Information Modeling. O objetivo dos decretos foi criar políticas públicas visando a mudança do atual modelo de construção para a plataforma BIM. A finalidade da Estratégia BIM é promover um ambiente adequado para uso do BIM no Brasil em um período de 10 anos. As ações incluem: Difusão do BIM e seus benefícios; Coordenar a estruturação do setor público para a adoção do BIM; Criar condições favoráveis para o investimento, público e privado, em BIM; Estimular a capacitação em BIM; Propor atos normativos que estabeleçam parâmetros para as compras e as contratações públicas com uso do BIM; Desenvolver normas técnicas, guias e protocolos específicos para adoção do BIM; Desenvolver a Plataforma e a Biblioteca Nacional BIM; Estimular o desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias relacionadas ao BIM; Incentivar a concorrência no mercado por meio de padrões neutros de interoperabilidade BIM. Já neste decreto, o uso do BIM seria implementado gradualmente em 3 fases: janeiro de 2021, janeiro de 2024 e janeiro de 2028. Iniciativas após a Estratégia BIM No final de 2017, a ABDI e o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços lançaram uma Coletânea BIM para orientar o planejamento, projeto, contratação, fiscalização e aceite de obras públicas ou privadas com o BIM. São seis volumes (Fundamentos BIM, Implementação BIM, Colaboração e Integração BIM, Fluxos de Trabalho BIM, Formas de Contratação BIM, 10 Motivos para Evoluir para o BIM), que nasceram com o objetivo de serem ponto de referência para capacitação e qualificação técnica na metodologia. A partir da Estratégia BIM BR, que tem entre suas ações a difusão da plataforma BIM no Brasil, já surgiram diversas iniciativas, como a criação da Câmara Brasileira do BIM, em 2018, que nasceu para discutir as políticas públicas de implementação e disseminação do BIM em cada Estado e no Brasil como um todo. São comitês que abordam temas como softwares, contratos, licitações, processos, formação acadêmica, etc Em 2019, também foi criada a frente parlamentar do BIM por meio do requerimento nº 2742/2019, em 21 de outubro de 2019, para lutar para que a metodologia se torne obrigatório em todos os órgãos do governo. Foi essa Frente que ajudou o Congresso e o Senado a entenderem sobre a necessidade de mudança na Lei 8.666/93, que praticamente não permitia inovações tecnológicas em projeto de arquitetura e engenharia, engessando prazos, controle de custos, melhoria de condições de trabalho e flexibilidade de adaptações para projetos mais inovadores. Em 1o de abril de 2021 foi publicada a Nova Lei de Licitações (14.133/21) para substituir a 8666, ficou determinado o uso preferencial do BIM para projetos em obras públicas. Em 2019, outra iniciativa importante foi a criação da Plataforma BIM BR, uma ação conjunta entre o então Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). A Plataforma BIM Brasil traz um conteúdo dinâmico sobre a Modelagem da Informação da Construção e uma Biblioteca BIM, com upload de objetos e componentes BIM, que seguem o estabelecido em um regulamento técnico. A biblioteca BIM Brasil é considerada a maior biblioteca pública da metodologia no mundo. Esse portal BIM Brasil também está aberto para o cadastro de profissionais que são experts na metodologia. BIM Brasil: órgãos públicos e privados Entre os órgãos públicos que utilizaram o BIM em seus processos construtivos estão o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e o PBQP-H (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat), vinculado ao Ministério das Cidades, com o Programa Minha Casa Minha Vida, que foi substituído pelo programa Casa Verde e Amarela. Outros grandes contratantes de obras de infraestrutura também passaram a exigir uso da metodologia BIM, como a Petrobras, que foi uma das primeiras grandes empresas governamentais a usar a metodologia 3D inteligente em suas obras, com os primeiros experimentos com o uso da metodologia no Campo de Marlim, em 1989, em Santos. Mas em 2017, por exemplo, a nova geração de plataformas pré-sal foi inteiramente desenvolvida dentro da metodologia BIM. Outros órgãos a utilizar o BIM em suas obras foram o INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) e Cedurp (Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro). Em relação a outros órgãos importantes que já investiram em projetos desenvolvidos com o BIM está o Projeto Sirius, que é um acelerador de partículas considerado a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no país. O Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, também utilizou o BIM em sua edificação, que vai abrigar a Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein e os pesquisadores da instituição. O SENAI já tem realizado o projeto e execução de suas escolas profissionalizantes totalmente com a metodologia BIM. BIM no Brasil na pandemia Devido à urgência para construção de hospitais de campanha durante a pandemia, em abril de 2020, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) também apresentou uma proposta ao governo para execução de obras mais rápidas com o BIM para ampliar a capacidade de atendimento. Neste aspecto, o BIM também é a metodologia mais indicada porque permite uma construção mais rápida e eficiente. Tendo em vista essa urgência, umas das obras construídas com o BIM foi o hospital do M’boi Mirim, em São Paulo, com cem leitos. Entre os modelos de hospitais de campanhas também estão os do projeto CURA Pods (Connected Units for Respiratory Ailments), que é uma iniciativa internacional que propõe reutilizar containers para criar unidades compactas de terapia intensiva, que servem para apoiar hospitais e comunidades. Com o BIM, é possível modelar o módulo de base de forma rápida, permitindo ter instalações completas. Cursos de BIM Para democratizar o uso da metodologia BIM no país, a ABDI também lançou em outubro de 2020 um curso gratuito e online sobre o BIM. Dividido em 2 módulos, o curso destinou-se aos profissionais dos setores de Engenharia, Arquitetura e Construção (AEC). Outra iniciativa importante no Brasil para ajudar na implantação de um sistema BIM no Brasil é o programa de capacitação na metodologia oferecido de forma gratuita em diversas unidades do Senai. Há opções como o curso introdutório “Desvendando o BIM”, mas há também opções de cursos mais específicos e já voltados para arquitetos, engenheiros e estudantes como o curso “Projeto de hidráulica com as bibliotecas BIM Amanco Wavin”, desenvolvido em parceria com a Amanco Wavin para os profissionais que estejam buscando soluções para projetos hidrossanitários. Neste ano, o Senai do Paraná lançou um programa de residência em BIM para construtoras, incorporadoras e escritórios de projetos de arquitetura e engenharia. O Grupo AJ BIM também oferece uma pós-graduação BIM e realiza diversos cursos técnicos para amparar o trabalho na metodologia. Conclusão A eficiência que o BIM traz aos processos construtivos está se apresentando cada vez com mais força na área pública e privada no Brasil. O interesse no conhecimento sobre a metodologia e a qualificação de profissionais vem aumentando, o que é imprescindível para o setor. Mas o fórum BIM Brasil ainda precisa ser ampliado. O certo é que essa precisa ser uma importante página da história do Brasil, que não pode ficar de fora dessa onda de modernização que vem transformando a indústria construtiva do mundo inteiro.

A História do BIM no Brasil

O uso do BIM no Brasil vem caminhando para proporcionar uma indústria construtiva cada vez mais organizada, eficiente, sustentável do ponto de vista ambiental e