Caderno BIM para obras públicas em Santa Catarina

A implantação do BIM no setor construtivo vem crescendo ao redor do mundo, porém, no Brasil, é possível dizer que uma iniciativa pioneira, que começou a ser criada em 2013, contribuiu bastante com o aumento da popularidade da metodologia no país: o Caderno BIM para obras públicas em Santa Catarina. Essa iniciativa, que desbravou os caminhos da metodologia no país na execução de obras públicas, traz procedimentos para que as empresas possam desenvolver projetos com o BIM, com padronização e formatação, além de servir como anexo em editais públicos para contratação. Veja nesse post no que consiste esse documento e como pode ajudar equipes que estão dando os passos iniciais no uso da metodologia. Como nasceu o Caderno BIM em Santa Catarina? O nascimento do Caderno BIM foi motivado devido a uma obra pública de um hospital em Santa Catarina. Com a constatação do atraso do empreendimento por um erro de projeto, foi preciso pensar em soluções para que a população não fosse prejudicada. Entre a busca por respostas sobre o que fazer, os engenheiros Rafael Fernandes Teixeira da Silva e Wesley Cardia, que à época faziam parte de um equipe que visava colaborar com a gestão de recursos vindos do BNDES e que eram distribuídos para várias secretarias do Estado, encontraram o BIM como uma resposta para o problema. Porém, o primeiro entrave foi a explicação do potencial transformador da metodologia para o setor construtivo público, porque os seus benefícios praticamente só eram conhecidos na literatura no país. Até aquele momento, apenas a Petrobras tinha utilizado a metodologia no setor público. No entanto, foi a partir desse trabalho no setor público de Santa Catarina (SC) que muito do que hoje é incentivado do uso do BIM na área pública ganhou força. À época , no país, ainda não havia empresas que tivessem construído um hospital em BIM, o que poderia ser um fator restritivo. Porém, com o esforço dos profissionais para ter mais qualificação e entendimento na metodologia, as necessidades e soluções foram surgindo. Objetivo que inspirou o Caderno BIM A paralisação da obra por falta de compatibilização de projetos foi o foco da licitação e contratação em BIM em Santa Catarina. A equipe de produção da obra deveria saber, com exatidão, o que e como fazer. O BIM proporciona essa certeza porque é uma metodologia amparada em 3 pilares: pessoas, processos e tecnologia. Para retomar o que é BIM. Com Building Information Modeling, é possível criar um modelo único tridimensional, carregado de banco de dados, que serve aos objetivos de todo o ciclo de vida do projeto, criando todo um fluxo de trabalho organizado, integrado e inteligente. Com o BIM, é possível fazer simulações com as representações virtuais exatas da obra antes da construção física, devido ao design muito mais aprimorado; descobrir erros já na fase de projeto e tomar medidas; melhor planejamento, que permite cronograma preciso; extração de quantitativos exatos para elaboração de orçamentos, análises energéticas e até mesmo desempenho da obra após a sua conclusão. Vários países que passaram a adotar a metodologia BIM iniciaram o processo a partir do setor público, porque os processos possibilitaram mais produtividade das equipes, redução de custos de orçamentos e de tempo de obra. Com isso, retrabalhos e desperdícios também foram significativamente reduzidos. Em Santa Catarina, a construção do Caderno BIM foi iniciado para amparar os requisitos da licitação, proporcionando já nesse momento uma grande transparência sobre as orientações, comportamentos das equipes no processo e os entregáveis. O Caderno BIM, que foi desenvolvido pelo grupo técnico criado pelo Comitê de Acompanhamento e Controle de Obras Públicas e Serviços de Engenharia vinculados à Secretaria de Estado do Planejamento, funcionou como uma grande e eficiente explicação para o mercado sobre o uso do BIM em uma obra pública, porque o primeiro edital publicado para contratação de empresas que utilizassem o BIM na obra gerou muitas dúvidas das empresas candidatas. Esse movimento provocou um cancelamento do primeiro edital e posterior publicação de um segundo edital, com o Caderno BIM anexado para esclarecimento dos vários pontos do uso da metodologia em obras públicas, então, favoreceu-se a análise e interpretação para eliminação dos pontos críticos. Segundo exposto no próprio caderno esses pontos podem ser ocasionados por fatores como: Omissão de informações; Falta de itens apresentados nos projetos; Nomeação de arquivos sem referências; Apresentação de sistemas/elementos próprios de cada empresa; Problemas em impressões, entre outros. Tópicos do Caderno BIM de SC Para facilitar e organizar os processos de comunicação, no Caderno BIM de Santa Catarina, há tópicos sobre: O que é BIM; Gestão das fases de projetos da edificação; Níveis de desenvolvimento da modelagem da informação da construção; Requisitos para o BIM; Condições para desenvolvimento de projetos em BIM; Elementos do projeto; Gerenciamento do plano executivo em BIM; Nomenclaturas; Documentos anexos ao projeto; Planejamento preliminar de construção da obra. Para os engenheiros envolvidos na elaboração do Caderno BIM, esse manual foi uma grande contribuição para a adoção da metodologia, tanto nas obras públicas do Estado, como para outros governos que também resolveram adotar a metodologia posteriormente. A partir dessa iniciativa do governo de Santa Catarina, que anunciou que a partir de 2018 as obras públicas do Estado seriam todas realizadas com o BIM, foi gerado um movimento que promoveu a padronização dos entregáveis de uma obra em BIM na região Sul do país, conhecida como Rede BIM Gov Sul e, posteriormente, criação do Cosud (Consórcio de Integração Sul e Sudeste). Depois de todo esse processo, segundo o estudo “Processo BIM em Projetos de Licitações de Obras Públicas em Obras do CRAS-SC”, de Juliana Stradiotto, para a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Campus São Leopoldo - RS), um grupo de 8 construtoras que passaram a fazer uso do BIM em SC apontaram ganhos: 16% reconheceram que o projeto estava mais detalhado; 11,1% apontaram redução da necessidade de aditivos de custo ao projeto, com maior entendimento do projeto para execução e a redução de erros na obra. Porém, as construtoras também revelaram que tinham dificuldades em encontrar profissionais capacitados para desenvolver projetos em BIM. Decreto governamental para adoção do BIM a partir de 2021 O decreto governamental federal no. 10.306, publicado em 2 de abril de 2020, estabelece que as obras públicas de alguns Ministérios já terão a indicação de uso do BIM a partir de 202, no âmbito da Estratégia Nacional de Disseminação do BIM – Estratégia BIM, também avalizada pelo Decreto nº 9.983, de 22 de agosto de 2019. Uma frente parlamentar, dentro do Congresso Nacional, nomeada Frente Parlamentar do BIM, também articula alterações da Lei 8.666 que controla as licitações públicas a fim de tornar o BIM obrigatório em todos os projetos e obras do Governo. O que tem sido percebido é um caminhar acelerado em direção à padronização da metodologia no setor construtivo do país. Há muito mais a ganhar por todos, a começar do estímulo à transparência com o dinheiro público, que está impressa no DNA dessa metodologia.

A implantação do BIM no setor construtivo vem crescendo ao redor do mundo, porém, no Brasil, é possível dizer que uma iniciativa pioneira, que começou a ser criada  em 2013, contribuiu bastante com o aumento da popularidade da metodologia no país: o Caderno BIM para obras públicas em Santa Catarina.

Essa  iniciativa, que desbravou os caminhos da metodologia no país na execução de obras públicas, traz procedimentos  para que as empresas possam desenvolver projetos com o BIM, com padronização e formatação, além de servir como anexo em editais públicos para contratação.

Veja nesse post no que consiste esse documento e como pode ajudar equipes que estão dando os passos iniciais no uso da metodologia.

Como nasceu o Caderno BIM em Santa Catarina?

O nascimento do Caderno BIM Caderno BIM foi motivado devido a uma obra pública de um hospital em Santa Catarina. Com a constatação do atraso do empreendimento por um erro de projeto, foi preciso pensar em soluções para que a população não fosse prejudicada.

Entre a  busca por respostas sobre o que fazer, os engenheiros Rafael Fernandes Teixeira da Silva e Wesley Cardia,  que à época faziam parte de um equipe que visava colaborar com a gestão de recursos vindos do BNDES e que eram distribuídos para várias secretarias do Estado, encontraram o BIM como uma resposta para o  problema.  

Porém, o primeiro entrave foi a explicação do potencial transformador da metodologia para o setor construtivo público,  porque os seus benefícios praticamente só eram conhecidos na literatura no país. Até aquele momento, apenas a Petrobras tinha utilizado a metodologia no setor público.

No entanto, foi a partir desse trabalho no setor público de Santa Catarina (SC) que muito do que hoje é incentivado do uso do BIM na área pública ganhou força. 

À época , no país, ainda não havia empresas que tivessem  construído um  hospital em BIM, o que poderia ser um fator restritivo. Porém, com o esforço dos profissionais para ter mais qualificação e entendimento na metodologia, as necessidades e soluções foram surgindo.

Objetivo que inspirou o Caderno BIM para obras públicas em Santa Catarina

A paralisação da obra por falta de compatibilização de projetos foi o foco da licitação e contratação em BIM em Santa Catarina. A equipe de produção da obra deveria saber, com exatidão, o que e como fazer.

O BIM proporciona essa certeza porque é uma metodologia amparada em  3 pilares: pessoas, processos e  tecnologia. 

Para retomar o que é BIM. Com Building Information Modeling, é possível criar um modelo único tridimensional, carregado de banco de dados, que serve aos objetivos de todo o ciclo de vida do projeto, criando todo um fluxo de trabalho organizado, integrado e inteligente.

Com o BIM, é possível fazer simulações com as representações virtuais exatas da obra antes da construção física, devido ao design muito mais aprimorado; descobrir erros já na fase de projeto e tomar medidas; melhor planejamento, que permite cronograma preciso; extração de quantitativos exatos para elaboração de orçamentos,  análises energéticas e até mesmo desempenho da obra  após a sua conclusão.

Vários países que passaram a adotar a metodologia BIM iniciaram o processo a partir do setor público, porque os processos possibilitaram mais produtividade das equipes, redução de custos de orçamentos e de tempo de obra. Com isso, retrabalhos e desperdícios também foram significativamente reduzidos.

Em Santa Catarina, a construção do Caderno BIM foi iniciado para amparar  os requisitos  da licitação, proporcionando já nesse momento uma grande transparência sobre as orientações, comportamentos das equipes no processo e os entregáveis.

O Caderno BIM,  que foi desenvolvido pelo grupo técnico criado pelo Comitê de Acompanhamento e Controle de Obras Públicas e Serviços de Engenharia vinculados à Secretaria de Estado do Planejamento, funcionou como uma grande e eficiente explicação para o mercado sobre o uso do BIM em  uma obra pública, porque o  primeiro edital publicado para contratação de empresas que utilizassem o BIM na obra gerou muitas dúvidas das empresas candidatas. 

Esse movimento provocou um cancelamento do primeiro edital e posterior publicação de um segundo edital, com o Caderno BIM anexado para esclarecimento dos vários pontos do uso da metodologia em obras públicas, então, favoreceu-se a análise e interpretação  para eliminação dos pontos críticos.

Segundo exposto no próprio caderno esses pontos podem ser ocasionados por fatores como:

  • Omissão de informações;
  • Falta de itens apresentados nos projetos;
  • Nomeação de arquivos sem referências;
  • Apresentação de sistemas/elementos próprios de cada empresa;
  • Problemas em impressões, entre outros.

Tópicos do Caderno BIM de SC

Para facilitar e organizar os processos de comunicação, no Caderno BIM para obras públicas em Santa Catarina, há tópicos sobre:

  • O que é BIM;
  • Gestão das fases de projetos da edificação;
  • Níveis de desenvolvimento da modelagem da informação da construção;
  • Requisitos para o BIM;
  • Condições para desenvolvimento de projetos em BIM;
  • Elementos do projeto;
  • Gerenciamento do plano executivo em BIM;
  • Nomenclaturas;
  • Documentos anexos ao projeto;
  • Planejamento preliminar de construção da obra.

Para os engenheiros envolvidos na elaboração do Caderno BIM para obras públicas em Santa Catarina, esse manual foi uma grande contribuição para a adoção da metodologia, tanto nas obras públicas do Estado, como para outros governos que também resolveram adotar a metodologia posteriormente.

A partir dessa iniciativa do governo de Santa Catarina, que anunciou que a partir de 2018 as obras públicas do Estado seriam todas realizadas com o BIM, foi gerado um movimento que promoveu a padronização dos entregáveis de uma obra em BIM na região Sul do país, conhecida como Rede BIM Gov Sul e, posteriormente, criação do Cosud (Consórcio de Integração Sul e Sudeste).

Depois de todo esse processo, segundo o estudo “Processo BIM em Projetos de Licitações de Obras Públicas em Obras do CRAS-SC”, de Juliana Stradiotto, para a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Campus São Leopoldo – RS), um grupo de 8 construtoras que passaram a fazer uso do BIM em SC apontaram ganhos:

  • 16% reconheceram que o projeto estava mais detalhado;
  • 11,1% apontaram redução da necessidade de aditivos de custo ao projeto, com maior entendimento do projeto para execução e a redução de erros na obra.

Porém, as construtoras também revelaram que tinham dificuldades em encontrar profissionais capacitados para desenvolver projetos em BIM.

Decreto governamental para adoção do BIM a partir de 2021

O decreto governamental federal no.  10.306, publicado em 2 de abril de 2020, estabelece que as obras públicas de alguns Ministérios já terão a indicação de uso do BIM a partir de 202, no âmbito da Estratégia Nacional de Disseminação do BIM – Estratégia BIM, também avalizada pelo Decreto nº 9.983, de 22 de agosto de 2019.

Uma frente parlamentar, dentro do Congresso Nacional, nomeada Frente Parlamentar do BIM, também articula alterações da Lei 8.666 que controla as licitações públicas a fim de tornar o BIM obrigatório em todos os projetos e obras do Governo.

O que tem sido percebido é um caminhar acelerado em direção à padronização da metodologia no setor construtivo do país. Há muito mais a ganhar por todos, a começar do estímulo à transparência com o dinheiro público, que está impressa no DNA dessa metodologia.

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