Lean Construction e BIM: parceria de sucesso

Pelos resultados apresentados no mundo, Lean Construction e BIM mostram potencial para serem agentes transformadores do setor construtivo.

Pelos resultados já apresentados nos locais onde foram implementados pelo mundo, Lean Construction e BIM mostram grande potencial para serem agentes transformadores da indústria construtiva.

Ambos representam mudanças de mentalidade e de processos que podem servir a mais produtividade, consciência ambiental e potencialização de bons resultados financeiros para os projetos.

O que é Lean Construction e BIM?

Para entender porque esses dois conceitos podem promover um casamento perfeito na construção civil, é preciso saber do que se trata cada um.

O que é BIM? Building Information Modeling é uma metodologia de trabalho colaborativa, que apresenta um processo inteligente em um modelo 3D, carregado com banco de dados associado.

A plataforma é amparada nos pilares pessoas, processos e tecnologia, que fornecem aos profissionais da arquitetura, engenharia e construção, as informações precisas e ferramentas para planejar, projetar, construir e gerenciar com mais eficiência a edificação de prédios comerciais, residenciais e obras de infraestrutura.

As políticas também entram nesse processo para dar embasamento e sustentação aos pilares do BIM.

A partir das informações carregadas nos modelos BIM, é possível simular cenários que trarão resultados que vão ajudar na tomada de decisão antes mesmo de partir para a fase de execução das obras. 

Mas o que é Lean Construction na construção civil?

O conceito do Lean Construction ou Construção Enxuta surgiu dentro da indústria automobilística japonesa em um momento de crise no país, mais precisamente na empresa Toyota. Esses princípios mostraram-se muito eficientes e foram absorvidos também em vários outros setores, inclusive, no AECO. Pode ser definido como uma metodologia que identifica, elimina o desperdício, melhora a produtividade e reduz o tempo de construção de uma obra. 

No  método Lean Constrution, existem pelo menos sete tipos de desperdícios que são evitados: superprodução, espera, talento não utilizado, estoque, defeitos, movimento e processamento extra.

Por que BIM e Lean Construction são tão afinados?

Vamos encontrar diversos pontos em comum entre as duas metodologias que estão a serviço  de projetos muito mais seguros e eficientes. 

Vamos a algumas características de cada um:

BIM

  • Acelera o processo de design e construção;
  • Promove compartilhamento de informações do projeto entre todos os envolvidos por meio do modelo único 3D;
  • Permite análises aprofundadas e avaliação rigorosa dos projetos;
  • Traz uma previsão precisa de prazos e orçamentação;
  • Permite previsão precisa de dados ambientais e análises energéticas;
  • Melhora a qualidade da produção;
  • Melhora a visualização e integração com os clientes;
  • Permite uso de dados disponíveis a todos durante todo o ciclo de vida da obra.

Princípios do Lean Construction

  • Eliminar desperdício e variabilidade;
  • Eliminar toda as etapas que não agregam valor;
  • Fazer as etapas restantes com um fluxo sem interrupções e de forma rápida;
  • Não fazer nada desnecessário;
  • Especificar com precisão o valor para a perspectiva final do cliente;
  • Adaptabilidade para melhorias;
  • Buscar melhoria contínua.

Lean Construction e as dimensões do BIM

Todas as simulações permitidas ao modelo único do BIM vão possibilitar que os conceitos da metodologia Lean Construction sejam atendidos, porque facilitam o entendimento do cliente, além de reduzir estresses e evitar erros e retrabalhos.

Pelas características exigidas por um modelo de construção enxuta, o BIM também permite um casamento harmônico em suas várias dimensões, como aquelas que privilegiam o planejamento, orçamentação e sustentabilidade.

Planejar bem uma obra é a melhor maneira de tentar fugir às imprevisibilidades que podem gerar aumento de custos e atrasos nas obras.

No BIM, o planejamento está na dimensão 4D, que associa também o fator tempo. Nesse planejamento antecipado, é preciso levantar os requisitos para garantir o trabalho eficiente, assegurar que restrições sejam eliminadas e que todos os elementos sirvam para interferir positivamente no fluxo de trabalho, e assim gerar um cronograma com mais exatidão de prazos.

O 4D é eficaz para simulações do espaço que envolve o canteiro de obras e outras frentes de serviço que vão impactar na obra em relação ao tempo.

Já na fase de orçamentação, que é a dimensão 5D, vai atuar na quantificação, orçamentação, planejamento e gestão de serviços da construção.

Cada decisão tomada vai gerar um custo e pelos recursos da dimensão 5D é possível saber se estará em consonância com o método Lean. Além de apresentar as diretrizes para extração de quantitativos de serviços, em estimativas e desenvolvimento de estimativas, também vai trazer planejamento da execução. 

Lean Construction, BIM e Sustentabilidade também caminham juntos. 

Segundo padronizações da Autodesk, a dimensão 7D contempla o fator sustentabilidade de uma forma além da convencional, porque orienta as análises energéticas e desempenho da edificação, mas também permite verificações dos custos de energia durante a realização da obra.

Benefícios Lean + BIM

O uso do Lean Construction e do BIM traz vários benefícios, segundo o Instituto Lean Construction. Em pesquisas do órgão, foi apontado que empresas que fizeram uso de práticas Lean e do BIM relataram: maior qualidade da obra (84%), satisfação dos clientes (80%), maior produtividade (77%) e segurança aprimorada (77%).

Já em relação ao BIM, o aspecto de redução de tempo de estimativa e imprecisões é um dos grandes benefícios da metodologia. Segundo uma pesquisa da Universidade de Stanford com 32 projetos que utilizaram a metodologia, chegou-se à conclusão que:

  • É permitido até 80% de redução do tempo gasto com estimativas de um projeto;
  • A metodologia permite a eliminação de até 40% das mudanças de orçamento não previstas;
  • É possível reduzir 7% no tempo total do projeto.

Outros estudos do setor também apontam que o BIM pode também reduzir até 20% nos custos da construção civil, com quantificações precisas e a redução dos desperdícios.

Além disso, ao privilegiar as análises de desempenho, o BIM também pode ajudar a reduzir até 70% dos custos da manutenção predial no futuro. Estudos apontam que  os custos de manutenção predial ao longo dos anos, muitas vezes, podem ser superiores ao total da construção.

Conclusão

Usar os conceitos do Lean Construction no Brasil, associado ao BIM, representa um momento histórico dentro do setor construtivo, quando novas tecnologias estão sendo unidas a uma nova visão sobre os modelos de produção do setor.

Essa tendência pode representar um marco de transformação dentro do setor construtivo do país, porque os princípios Lean, aliados ao BIM, podem promover melhoria da qualidade no setor, custos de operação reduzidos, redução de operações desnecessárias, aumento da produtividade e um processo de execução avançado. 

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O modelo 3D também possibilita a realização de simulações na versão digital da obra para analisar o seu desempenho e facilitar tomadas de decisão. Essa metodologia vem gerando uma grande eficiência na cadeia construtiva, que permite redução de gastos e de desperdícios, cronogramas mais exatos e grande eficiência das edificações. Além disso, BIM e sustentabilidade combinam muito e também com o conceito da Lean Construction. Para dar suporte à tecnologia BIM, existem vários softwares, entre eles é possível escolher o Revit ou Archicad. Vamos entender melhor sobre cada um deles: Revit O Revit é um software da empresa norte-americana Autodesk que permite ao usuário projetar com modelagem paramétrica e elementos de desenho. É bastante popular na indústria da construção na América e Europa, inclusive no Brasil. Traz ferramentas para viabilizar o trabalho nos projetos arquitetônicos, MEP e engenheiros estruturais. É utilizado para coordenação de todas as entradas de dados (incluindo dados em 2D). Os componentes paramétricos do software foram criados usando um editor de famílias Revit (sistemas, componentes carregáveis e locais). Além disso, todas as relações entre as visualizações, componentes e anotações em qualquer um dos elementos do modelo são propagadas automaticamente. Archicad Desenvolvido pela empresa húngara Graphisoft, foi o primeiro software BIM para uso comercial. Desfruta de grande prestígio com profissionais da Europa. Também trabalha com o desenvolvimento de plantas, cortes e todos os elementos da construção por meio de um modelo único 3D, com banco de dados associados. Tem ferramentas de design de algoritmos e com suporte para grandes modelos para projetar, analisar e colaborar, além de trazer um conjunto completo de documentação pronto para uso. É mais focado no trabalho dos arquitetos, embora tenha ferramentas da modelagem MEP e estrutural disponíveis. 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O melhor para colocá-los em uma balança é apontar alguns pontos fortes e pontos fracos de cada software, que pode levar o usuário a entender o que é melhor para seu trabalho. Pontos fortes Graphisoft Archicad Interface é umas das maiores vantagens, traz bastante clareza ao usuário porque é mais minimalista e orientada por gráficos; Permite processo criativo bastante integrado e intuitivo para o projeto arquitetônico; Fornece mais liberdade para analisar o modelo porque as visualizações 3D são axonométricas e em perspectiva; Numeração de páginas é automática; Mostra profundidade de desenhos de forma muito eficaz; Ferramentas de produção e edição intuitivas e consistentes; Usa padrão IFC; Funciona melhor em computadores menos potentes, rodando em Mac e Windows; Tem diversos templates com versão brasileira; Oferece um um sistema Teamwork para compartilhamento de arquivos bastante robusto. Autodesk Revit Mais autonomia e facilidade no design paramétrico de elementos; Interface simples e altamente personalizável tanto para arquitetos como para engenheiros; Grande flexibilidade de design nos primeiros estágios do projeto; Tem capacidade em várias dimensões para planejar, analisar, gerenciar e operar em todos os estágios do projeto, do design à construção e até demolição; Extensa biblioteca de conteúdos para projetos MEP e estruturais; Método de desenvolvimento de paletas é visualmente semelhante ao AutoCAD, porém, com imensas opções de possibilidades para editar elementos; Renderização em nuvem, objetos RFA e motor Autodesk Raytracer (ART) sedimentaram a preferência de muitos usuários do setor construtivo; Permite arquivos maiores; Apresenta mais suporte para usuários com literatura, recursos, e-books e tutoriais na internet; Grande compatibilidade com softwares da Autodesk, como o Navisworks, BIM 360, Dynamo e AutoCAD. Pontos fracos Archicad Tem menor capacidade de aplicar e personalizar visualizações de elementos específicos; Traz menos suporte e informações sobre como se aprofundar no software; Necessita de melhorias no conjunto de recursos, como extração de banco de dados Keynote, gerenciador de fases e transferência mais fácil de detalhes padrão. Revit Numeração de páginas é manual; Precisa de processos mais rápidos para funcionar bem; Não suporta recurso “arraste e solte” para inserir arquivos dentro de projetos. Conclusão Percebe-se que o melhor software (Archicad ou Revit) vai depender do que o profissional mais dominar e se adaptar, além do tipo de projeto que vai precisar desenvolver. Se precisar apenas de projetos arquitetônicos colaborativos, o Archicad vai servir muito bem, inclusive, a nova versão 24 corrigiu uma deficiência em relação aos projetos complementares. 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