O pensamento da gestão pública para uma Smart City

O pensamento da gestão pública em uma Smart City tende a antecipar e responder mudanças que afetam a população. Saiba mais.

O pensamento da gestão pública em uma Smart City tende a antecipar e responder mudanças que afetam a população, especialmente na questão dos serviços públicos, mas também na melhoria da governança e sustentabilidade.

Ocorre de forma integrada, unindo agentes públicos à necessidade da população, que também contribui com informações que ajudam nas tomadas de decisão.

Entenda melhor nesse post.

O que é uma smart city?

Embora esse conceito possa variar de cidade para cidade e de país para país, conforme o nível de desenvolvimento de cada lugar, uma smart city (cidade inteligente) utiliza tecnologias de informação e comunicação para compartilhar dados com o público e gerar mais eficiência nas políticas para garantir mais qualidade de vida para a sua população.

Para isso, a Smart City faz uso da IoT (Internet das Coisas) e usa os avanços em BIG DATA, que utilizam um grande sistema de análise de dados, que vão permitir a otimização de funções do município porque a gestão pública pode acessar informações que não estavam disponíveis anteriormente, a fim de promover mais desenvolvimento social e econômico.

Portanto, além da conectividade, que vai proporcionar melhores condições, por exemplo, no transporte público, organizando tráfego e até mesmo controlando emissões de gases, a Smart City também abrange diversos outros segmentos que permitem um melhor planejamento urbano, como melhor governança, qualidade de vida, coesão social, economia, etc.

As cidades inteligentes buscam dar as melhores soluções para eliminar os “vilões” urbanos que surgem com o aumento da densidade demográfica, como infraestrutura ultrapassada em vários segmentos, problemas de trânsito, falta de moradia, criminalidade e até mesmo desemprego, porque seus setores são integrados e permitem fluxo de informações para tentar resolver essas questões.

Qual a relação com o CIM?

A “construção” de cidades realmente inteligentes  estão ligadas ao uso do CIM (City Information Modeling), que é a modelagem tridimensional das cidades. É um BIM em larga escala, que permite melhores decisões para o urbanismo.

A partir das georreferências e imagens tridimensionais do CIM, algumas cidades no mundo já foram projetadas e planejadas com essas ferramentas, como Montreal, Dubai, Singapura, Song Do, Oslo, etc.

No entanto, esse conceito ainda é muito novo, e uma maioria imensa dos gestores públicos sequer conhecem o termo.

Ainda sem a modelagem inteligente, já existem locais denominados smart cities no Brasil, com base em conceitos de melhorias de mobilidade, transporte público, planejamento urbano, ações sustentáveis e outros níveis de desenvolvimento econômico e social. De acordo com o ranking Connected Smart Cities no Brasil, Campinas (interior de SP) é a primeira do país em melhores recursos urbanos. São Paulo (capital) é a segunda.

Os benefícios das cidades inteligentes

  • Infraestrutura mais aprimorada;
  • Maior envolvimento dos cidadãos;
  • Tomada de decisões do governo baseada nos dados obtidos;
  • Melhores condições de transporte;
  • Mais sustentabilidade ambiental;
  • Mais equidade digital;
  • Serviços públicos mais eficientes;
  • Mais oportunidades de desenvolvimento econômico.

Gêmeos digitais

Em uma smart city também entra o conceito de gêmeo digital, que é usado para representar um objeto, processo ou mecanismo já existente, porém, de forma digital. Pode ser definido como o modelo virtual de uma cidade.

Esse conceito não é novo, existe desde o começo dos anos 2000, porém, ficou em evidência a partir do avanço da IoT. Já no começo foi usado para monitoramento e planejamento.

Um gêmeo digital é feito a partir de uma cidade digital em 3D com banco de dados atualizado, com levantamento das informações atualizadas nas edificações, da infraestrutura, do patrimônio público e do privado, etc. 

Por exemplo, as estruturas dos prédios são reconstituídas em ambientes virtuais, fazendo conexão com meios de avaliação e sensores já existentes no âmbito físico.

Por isso, para se tornar um gêmeo digital precisa ter um vínculo direto ao modelo digital da cidade em tempo real.

É uma forma de visualizar o pulsar da cidade para realizar testes relacionados às degradações, tipos de clima, abalos, etc. Tudo é experimentado antes de implementar.

A ideia é começar com uma cidade digital para chegar em um gêmeo digital para chegar em uma cidade inteligente.

A cidade de Singapura tem um exemplo avançado de gêmeo digital, o Virtual Singapore. Oferece 4 recursos para os interessados: experimentação virtual, testes, tomada de decisão e pesquisa e desenvolvimento.

O pensamento da gestão pública em uma Smart City tende a antecipar e responder mudanças que afetam a população. Saiba mais.
Virtual Singapore

Exemplos de usos dos gêmeos digitais

Vamos dar um exemplo mais simples do uso de um gêmeo digital: a lâmpada de um poste de luz da rua queima. Então, imediatamente, o sensor já existente aponta no modelo 3D da cidade um aviso para a equipe responsável de manutenção, que também vai apontar um aviso para equipe de compras, para a equipe do reparo e assim por diante, envolvendo toda a cadeia  da infraestrutura. Assim que o problema for resolvido, essa marcação será apagada para todos os envolvidos.

Ainda na fase de simulações, o gêmeo digital também pode, por exemplo, ajudar em equipes de socorristas, como os bombeiros. Com a ajuda da realidade aumentada e da Inteligência Artificial, o gêmeo digital pode apresentar e prever as situações em casos de incêndios com o acesso às maquetes 3D de um edifício. Nestes casos, prever o comportamento do fogo e até onde as pessoas poderiam estar.

Quem soluciona os problemas em uma Smart City?

Em uma cidade inteligente, a gestão pública pode integrar todos os agentes públicos no “funcionamento” da cidade, como os prefeitos, secretários de desenvolvimento, infraestrutura e obras e os envolvidos no ecossistema do segmento, que tenham ação direta nessa engrenagem.

Portanto, o primeiro passo para a gestão pública criar uma cidade inteligente realmente eficiente é fazer um grande levantamento cadastral e atualizar todos esses dados que sirvam à integração de todos os setores e a cidade seja vista como um todo.

Ao fazer a modelagem  com o CIM, os resultados serão extremamente otimizados, porque essa metodologia permite a simulação de uma cidade inteira, com um modelo 3D único, carregado de informações, para permitir uma melhor gestão da saúde pública, mobilidade, limpeza, segurança, recursos naturais, etc.

Investimentos em tecnologia

Porém, para a criação das smart cities, a gestão pública também deve fazer investimentos em tecnologia que possibilitem essa ação inovadora dentro do setor público. De acordo com dados do BCC Research, as cidades inteligentes na América do Norte estão aumentando os seus investimentos em tecnologia de US$ 118,5  bilhões de dólares em 2016 para US$ 244,5 bilhões em 2021.

Nestes países, o financiamento federal também tem aumentado, assim como as parcerias com os governos municipais visando uma melhor gestão pública das cidades.

Um ponto importante para a gestão pública é ter clareza do motivo de adotar todas essas tecnologias, com as devidas análises de custo-benefício para perceber e apresentar todas as vantagens aos próprios cidadãos.

Por sinal, em uma smart city, a gestão pública está totalmente alinhada com a participação de seus habitantes, que ajudam a “criar” a cidade.

É certo que com esses recursos, uma smart city possibilita um ambiente mais justo aos moradores, porque garante mais acesso aos serviços com internet de alta velocidade, oferecendo wi-fi públicos estrategicamente colocados em vários pontos da cidade para coleta de vários dados significativos ao funcionamento dos municípios.

Por exemplo, com a instalação destes sensores, é possível medir a qualidade do ar e da água, informar em quanto tempo um ônibus vai chegar a um determinado ponto, identificar vagas de estacionamento vazias e congestionamentos, reduzir ou aumentar a quantidade de iluminação pública, de acordo com as necessidades, entre várias outras ações. 

Esses dados podem gerar ações que vão permitir a redução de desperdícios.

Inovação gera desenvolvimento econômico

Em relatórios apresentados nas cidades inteligentes no mundo, foi comprovado que o investimento público em tecnologia para a modelagem da cidade teve efeito multiplicador do potencial econômico do local.

Com uma gestão pública inovadora e aberta às novas tendências para o urbanismo de uma smart city, empresas do setor privado também unem forças no aprimoramento da infraestrutura municipal, sem contar a imensa quantidade de start ups que também passam a produzir novas soluções.

Essas ações tornam uma cidade mais atrativa e competitiva, tanto para atrair novos residentes, como novas empresas, que poderão colocar a roda da economia daquele local para girar melhor. 

Os governos que despertaram suas atenções para o que são cidades inteligentes entendem que todos são vitais no processo: população, gestores e agentes públicos, e também iniciativa privada. É um esforço coletivo no qual todos vão ganhar.

Por isso, tem crescido o número de eventos que apresentam todo o potencial das cidades inteligentes ao redor do mundo. 

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